Infelizmente, ainda hoje, crianças com transtornos auditivos não são encaminhadas para diagnóstico e intervenção, após os primeiros anos de vida, pois, são identificadas tardiamente. Esse atraso pode trazer para as crianças prejuízos no seu processo de desenvolvimento cognitivo global, de linguagem, aprendizagem e intelectual; além disso, acabam por ficar privadas de recursos tecnológicos (Aparelhos Auditivos ou Implante Coclear) que poderiam lhes proporcionar, hoje em dia, condições melhores de vida e de aprendizagem.
Já desde 1944, na Inglaterra com Lady e Lord Ewing, começaram os estudos e pesquisas na busca por procedimentos, que permitissem a detecção da surdez em crianças pequenas. Atualmente, programas de triagem auditiva neonatal já são uma realidade em vários hospitais e maternidades. A lei da Saúde Auditiva já e uma realidade. Em nosso país, vários profissionais passaram a se mobilizar e atuar na divulgação da melhora e na re-habilitação das crianças surdas como os Ewing, na Inglaterra, Wedenberg na Suécia e Downs, nos Estados Unidos.
No Brasil, os estudos têm mostrado que mesmo com os programas de triagem auditiva neonatal ainda não se consegue atingir o objetivo final: diagnóstico precoce e iniciar a intervenção fonoaudiológica. O intervalo entra a suspeita do transtorno auditivo e o estabelecimento do diagnóstico ainda é longo. Esta questão ainda é demorada.
Estima-se que, no Brasil, de três a quatro crianças em 1000 nascidos vivos, nascem surdas, aumentando para dois a quatro em cada 100 recém-nascidos quando provenientes de UTI. Cerca de 50 a 75 % das deficiências auditivas são passíveis de serem suspeitadas no berçário, por meio da triagem auditiva com o registro das emissões Otoacústicas. De todos os recém-nascidos, 7 a 12 % possuem pelo menos um fator de risco para a deficiência auditiva. Em neonatos de risco 2,5 a 5% são portadores de deficiência auditiva moderada ou severa (Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES, 2006). No decorrer dos anos 90, no Brasil, programas de identificação precoce dos transtornos de audição vêm sendo desenvolvidos junto à população de alto e baixo risco utilizando procedimentos de triagem comportamental e mais recentemente, avaliações eletrofisiológicas. A recomendação nacional e internacional é pela triagem auditiva neonatal universal: todos os bebês devem passar pela triagem auditiva, pois a surdez é invisível, difícil de ser diagnosticada a olho nu.
Também é importante a necessidade do monitoramento da audição durante o desenvolvimento infantil: a surdez, em alguns casos (doenças ou genética) pode se instalar ao longo do crescimento da criança. Algumas doenças, em especial que acometem a mãe no período gestacional, podem ser a causa desta instalação tardia.Nesse grupo de doenças, o transtorno auditivo não é sempre o mesmo: problemas de audição de diferentes graus, de diferentes localizações (orelha interna, sistema nervoso central), podem occorrer, e por isso, podem passar desapercebidos pelos profissionais de saúde que cuidam da criança. Como exemplo: as doenças infecto-contagiosas de transmissão materno-infantil encontram-se neste grupo, dentre elas estão a toxoplasmose, a citomegalovirose, a rubéola, a sífilis e a herpes.
Algumas questões são importantes de serem levadas em consideração ao se pensar na necessidade de encaminhar uma criança para avaliação auditiva, dentre elas:
· Atraso no desenvolvimento da fala e/ou da lingaugem;
· História de infecção de orelha média;
· Não apresentar reflexo de susto ou de piscar os olhos em presença de um som forte (tambor, por ex.)
· Não reagir positivamente para sons familiares;
· Não acordar com som forte.
· Suspeita dos pais ou responsáveis.
O IEAA está equipado e qualificado a atender seus pacientes realizando os exames audiológicos necessários para o diagnóstico e reabilitação que possam necessitar. Dentre os exames que realizamos temos: Emissões Oto-acústicas, audiometria condicionada e lúdica, avaliação da função da orelha média (timpanometria).
Parte deste texto foi extraído da introdução da dissertação de mestrado da Fonoaudióloga Ana Claudia Fontana, profissional do IEAA na área de Audiologia Infantil.